Posts de Outubro, 2007

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Justiça na esquina de casa, já imaginou?

Outubro 18, 2007

Há dois anos, o Ministério da Justiça discute com magistrados, Ordem dos Advogados do Brasil e demais operadores do direito, a reforma no judiciário brasileiro. Entre as propostas está o projeto Justiça Comunitária que prevê o treinamento de agentes comunitários para mediar conflitos nos bairros, evitando o ajuizamento de ações na Justiça e consequentemente o número de ações que hoje abarrotam os fóruns de todo país.

Esta semana, o secretário nacional de reforma do judiciário, Renato Favretto, esteve em Porto Alegre dsc02683.JPGpara iniciar a discussão e buscar sugestões em seminário na Escola da Magistratura, na Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS). Ele anunciou que um núcleo será montado numa igreja, no bairro Lomba do Pinheiro, zona leste da capital gaúcha. Aqui ele explica como funcionará o programa, previsto para começar em dezembro.

Mas o Rio Grande do Sul é pioneiro em aproximar a Justiça da população. Desde 2005, a juíza Cyntia Terezinha Buraldi Mua desenvolve atividade semelhante, em Campo Bom, município de 57.087 habitantes, a 54 quilômetros de Porto Alegre.

O projeto, chamado de Justiça em Ação, envolve advogados apontados pelo fórum local que a cada duas semanas vão até um dos bairros da cidade e promovem audiências de conciliação. São revolvidas brigas entre vizinhos, pequenas dívidas não pagas e conflitos de pouca relevância que acabariam nos Juizados Especiais (conhecido como Pequenas Causas) ou em processo.

No vídeo a seguir, a juíza comenta os benefícios da iniciativa que atingiu 58% de mediação nas 120 sessões realizadas em dois meses.

Além das audiências, a Justiça de Campo Bom desenvolve trabalho em escolas públicas e particulares. Os alunos são estimulados a entender o papel da Justiça a partir de passeios ao fórum e atividades em sala de aula como poesias e pinturas (foto acima).

  – É uma forma de mostrar que a Justiça não é apenas um juiz de toga preta, acima de todos. Procuramos mostrar que o papel da Justiça não é apenas o de mandar prender. Nossa intenção é despertar um sentimento de conciliação nas pessoas desde a infância porque acreditamos que assim podemos ter uma sociedade melhor”, pondera a juíza Cyntia.

No entanto, o Justiça em Ação enfrenta dificuldades de infra-estrutura. As atas, por exemplo, são feitas à mão e nem sempre há sala disponível para as audiências. Parcerias com entidades de classe seria a saída.

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A ordem é participar

Outubro 4, 2007

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O conceito de WEB 2.0 é a interação. O usuário participa da construção do conteúdo. Alguns portais perceberam a tendência e abriram espaço para os internautas, além dos comentários no rodapé ou enquetes. 

O Terra, com o VCRepórter, ou o G1, que possibilita ao usuário avaliar a matéria, aperfeiçoaram o precursor da prática: o IG. De um país distante, de um confim, os internautas enviam fotos e textos – tratados por mediadores/editores, claro. É como ter uma rede infinita de correspondentes, sem gastar um tostão.

Ao meu ver, o Terra possui uma formato um pouco burocrático de permitir a publicação. É necessário preencher um cadastro longo e chato que inclui o CPF.

 Há críticas, pois alguns sugerem que o material pode ser enviado por alguém com interesse em difundir a informação. Pode até existir, mas no caso de tratar-se de uma informação relevante, cabe ao editor ordenar uma checagem “profissional”.

Em parte, concordo com a afirmação de que abrir espaço ao internauta é uma forma de democratizar o jornalismo. Garante, no mínimo, uma visão diferente, não viciada de um repórter.

No entanto, à medida que as notícias são ajustas ou talvez reescritas, a liberdade é restrita.